O Ministério Público manteve, nesta quinta-feira (27), o pedido de condenação por lavagem de dinheiro para o ex-deputado João Paulo Cunha, o ex-assessor do PP João Cláudio Genu e o ex-sócio da corretora Bônus Banval, Breno Fischberg.
Após o relatório do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu o julgamento dos últimos recursos do mensalão e deve retomar a análise do caso após o Carnaval.
Isso porque o plenário do STF estava incompleto nesta quinta-feira. Para realizar a votação com o quorum completo, os ministros decidiram adiar a votação.
Como na semana do Carnaval não haverá sessão no Supremo, o julgamento dos embargos infringentes será retomado no dia 13 de março.
Sem inocentes
Durante a leitura do relatório da acusação, Janot afirmou que nenhum dos três réus que entraram com recurso é inocente. Para o Ministério Público, todos sabiam que a origem do dinheiro que recebiam era ilegal.
Para rebater o argumento da defesa de João Paulo Cunha, Janot afirmou que o fato da esposa do acusado ter sacado o dinheiro pessoalmente foi uma tentativa "simplória" de tentar dificultar a fiscalização sobre a origem dos recursos.
— O fato de ter havido o levantamento pela esposa dele, ao contrário de demonstrar uma vontade explícita de apresentar saque do recurso, representou uma forma simplória para completar o sistema de ocultação.
O procurador-geral também rejeitou os argumentos da defesa de Genu, que afirma que o acusado apenas cumpria ordens e não sabia que o dinheiro que entregava para os parlamentares do PP era ilegal.
Para Janot, não se pode entender que Genu era apenas um "mero office-boy no transporte dessas quantias". Segundo o procurador-geral, ele tinha conhecimento de que os recursos que sacava eram para propina dos deputados.
O caso de Breno Fischberg também foi entendido pelo Ministério Público como lavagem de dinheiro. Segundo o relatório da acusação, ele era um dos diretores da Bônus Banval e por isso tinha conhecimento da circulação dos recursos.
Segundo o entendimento do STF, a corretora Bônus Banval foi utilizada pelos parlamentares do PP como intermediária no recebimento de vantagens indevidas.
Rito
Como todos os advogados e a acusação já sustentaram suas respectivas teses, o julgamento será retomado com o voto do ministro relator dos embargos infringentes, ministro Luiz Fux.
Depois, cada um dos outros dez magistrados também votam a favor ou contra a absolvição dos réus.
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