ECA. CRIME
ANÁLOGO. ROUBO QUALIFICADO.
Noticiam os autos que foi aplicada ao
adolescente medida socioeducativa de internação provisória pela prática de ato
infracional análogo ao crime de roubo previsto no art. 157, §
2º, I, do CP, c/c o art. 103 do ECA. Alegou-se no habeas
corpus ser inadequada a medida imposta ao adolescente por não estarem
presentes as hipóteses previstas no art. 122 do ECA e ainda
sustenta-se ser possível a aplicação do princípio da insignificância ao caso.
Para o Min. Relator, não há possibilidade de aplicação do referido
princípio no caso concreto, embora se trate da subtração de um
boné avaliado em R$ 15,00 e algumas moedas no valor de
aproximadamente R$ 0,80, visto que a conduta foi praticada mediante violência e
grave ameaça: para isso se utilizou uma faca. Também, segundo consta na
sentença, o adolescente possui pelo menos mais cinco processos em andamento,
quase todos com representação recebida por crime contra o patrimônio, prática
reiterada para que, com a venda dos produtos, consiga dinheiro
para sustentar o vício do crack;consignou ainda o juiz que o MP
estadual acredita que, enquanto o menor estiver nas ruas, continuará a
delinquir. Diante desses fatos, para o Min. Relator, o valor da coisa subtraída
não pode ser analisado de forma isolada. Dessarte, no caso dos
autos, o paciente efetivamente praticou ato infracional que pressupõe tanto a
violência quanto a grave ameaça, incidindo na tipificação prevista pelo inciso
I do art. 122 do ECA, por isso deve ser-lhe aplicada a medida de internação,
até por contingência legal. Diante do exposto, a Turma denegou a ordem.
Precedentes citados: AgRg no AgRg no HC
49.689-SP, DJ 5/2/2007; AgRg no HC 73.934-SP, DJe 25/5/2009;
HC 80.734-SP, DJ 17/12/2007, e HC 39.451-SP, DJ 22/8/2005. HC 188.177-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em
19/5/2011.
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